O samba-reggae é um estilo de percussão e um gênero musical baiano que tomou forma em Salvador nos anos 1980. Nascido dentro dos blocos afro da cidade — agremiações carnavalescas afro-brasileiras —, une o suingue do samba à levada do reggae caribenho, sustentado por uma muralha de surdos afinados em alturas diferentes. É o som estrondoso que a maioria das pessoas imagina quando pensa no Carnaval de Salvador.
De onde vem o samba-reggae?
O samba-reggae surgiu dos blocos afro de Salvador, as agremiações carnavalescas negras que emergiram na Bahia nas décadas de 1970 e 1980. Esses grupos se formaram num momento em que as comunidades afro-brasileiras retomavam o orgulho de sua herança africana, e sua música tornou-se uma expressão pública desse movimento.
O Ilê Aiyê, fundado em 1974 no bairro da Liberdade, é amplamente reconhecido como o primeiro bloco afro e abriu caminho para os grupos que vieram depois. Alguns anos mais tarde, o Olodum, fundado em 1979 e sediado no Pelourinho, tornou-se o embaixador mais famoso do estilo. O percussionista e diretor musical Neguinho do Samba costuma ser creditado por moldar o som do samba-reggae ao misturar o samba com o reggae e outros ritmos caribenhos — uma forma de conectar a Bahia ao Atlântico Negro mais amplo.
Nos anos 1990, o estilo já havia viajado muito além da Bahia. A percussão do Olodum alcançou plateias do mundo inteiro por meio de colaborações com artistas pop internacionais, e a imagem de dezenas de percussionistas enchendo o Pelourinho tornou-se uma das exportações culturais mais reconhecíveis do Brasil.
Como soa o samba-reggae?
O coração do samba-reggae é uma família de surdos — tambores graves afinados em alturas diferentes. Enquanto uma escola de samba do Rio usa os surdos sobretudo para marcar a pulsação, o samba-reggae atribui a eles padrões melódicos entrelaçados, de modo que os tambores graves parecem "cantar" juntos uma linha de baixo. Por cima, as caixas agudas e os repiques cortantes acrescentam impulso e síncope, enquanto o timbau — um tambor alto, tocado com as mãos — traz os solos e o calor.
O resultado é uma levada ao mesmo tempo mais pesada e mais dançante do que um samba tradicional: a batida de influência reggae lhe dá um balanço rolante em andamento médio, e os surdos em camadas lhe dão sua potência inconfundível.
Dados principais
- Origem: Salvador, Bahia — dentro dos blocos afro.
- Surgimento: anos 1980.
- Raízes: samba + reggae e outros ritmos caribenhos + tradição afro-brasileira.
- Grupos principais: Ilê Aiyê (1974), Olodum (1979).
- Som característico: surdos afinados e entrelaçados.
Samba-reggae x samba
O samba-reggae faz parte da grande família do samba, mas não é o mesmo que o samba do Rio de Janeiro. O samba-enredo carioca é rápido, brilhante e feito para a avenida do desfile; o samba-reggae é mais lento, mais pesado e moldado pela levada do reggae. Ambos compartilham raízes afro-brasileiras profundas, mas cada um carrega sua própria identidade regional — o samba-reggae é, inconfundivelmente, o som da Bahia.
Aprender a tocar
Como o samba-reggae é construído a partir de um punhado de partes entrelaçadas, é um dos estilos mais gratificantes para um iniciante aprender: domine primeiro a pulsação do surdo, depois acrescente os padrões da caixa e do repique por cima, e toda a levada se encaixa. Na Opanijé, o samba-reggae é um dos estilos centrais ensinados em nosso curso gratuito de percussão on-line — a mesma tradição viva que enche as ruas de Salvador.
Fontes e leitura complementar
- Behague, Gerard — textos sobre a música de Carnaval afro-baiana e os blocos afro.
- Crook, Larry — Brazilian Music: Northeastern Traditions and the Heartbeat of a Modern Nation.
- Histórias públicas do Ilê Aiyê e do Olodum, Salvador, Bahia.